Advocacia Por Migalhas: Advogados Cobram Honorários Irrisórios e Perpetuam Um Péssimo Serviço Técnico
- ADVOGADO CRIMINAL

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## O Aviltamento da Advocacia: A Irracionalidade de Trocar a Dignidade por Migalhas
O mercado jurídico brasileiro atravessa um paradoxo perigoso. De um lado, exige-se do advogado uma atualização constante, domínio de ferramentas tecnológicas e uma responsabilidade civil cada vez mais aguda. Do outro, observa-se o fenômeno da **prostituição de honorários**, onde profissionais, em um movimento de desespero ou miopia estratégica, ignoram a Tabela Mínima da OAB/SP para disputar clientes pelo "menor preço".
Essa prática não é apenas uma infração ética; é um atestado de **irracionalidade profissional**.
### O Peso da Balança Invertida
Quando um advogado aceita atuar por valores abaixo do mínimo institucional, ele opera em uma lógica de sobrevivência que ignora a matemática básica do negócio jurídico. Coloca-se na balança, de um lado, a sobrevivência imediata (as "migalhas") e, do outro, o **trabalho técnico absoluto**. O resultado dessa equação é invariavelmente o prejuízo — para o profissional, para a classe e, principalmente, para o constituinte.
* **A Ilusão do Volume:** Cobrar pouco exige que o advogado tenha uma quantidade desumana de processos para fechar as contas. O volume é o inimigo mortal da qualidade.
* **A Erosão da Autoridade:** Quem se vende pelo preço, pelo preço é trocado. O cliente que busca o "mais barato" não respeita o saber jurídico; ele consome uma mercadoria, não um serviço intelectual.
### A Técnica como Refém da Subsistência
A advocacia não é uma atividade de meio fim apenas no sentido jurídico, mas também no sentido de dedicação. Um trabalho técnico absoluto exige:
1. **Tempo** para pesquisa doutrinária e jurisprudencial.
2. **Foco** para a construção de teses criativas e personalizadas.
3. **Investimento** em infraestrutura e atualização.
Ao cobrar abaixo da tabela, o profissional retira de si mesmo a capacidade financeira de sustentar essa excelência. O que se entrega, ao final, é uma advocacia de "copia e cola", petições genéricas e prazos cumpridos no limite do cansaço. É a troca da **estratégia de alta performance** pelo **atendimento de balcão**.
### O Dano Coletivo e a Ética Profissional
A Tabela de Honorários da OAB/SP não é uma mera sugestão ou um teto de luxo; é um **piso de dignidade**. Ela reflete o valor necessário para que o advogado mantenha sua independência e a qualidade de seu munus público.
> "O advogado que avilta seus próprios honorários não está apenas perdendo dinheiro; está sabotando a credibilidade de toda uma classe e ensinando o mercado que o Direito é um produto de prateleira, desprovido de valor intelectual."
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### Conclusão: A Coragem de Dizer Não
A irracionalidade de abrir mão da técnica em troca de valores irrisórios cria um ciclo vicioso de pobreza e mediocridade. O profissional que deseja longevidade precisa entender que **seu maior ativo é o seu saber**, e este não pode ser liquidado em um leilão de centavos.
A valorização da advocacia começa na mesa de atendimento. Respeitar a tabela mínima é, acima de tudo, respeitar o próprio esforço, os anos de estudo e a importância fundamental da justiça. É preciso ter a coragem de perder o cliente que busca o preço, para estar disponível para o cliente que busca a solução.
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