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  • ADVOGADO CRIMINAL

Filha relata "ameaça" de secretário de Saúde de Bertioga ao buscar cirurgia de coração para o pai

BERTIOGA - Uma moradora de Bertioga enfrenta o drama de não conseguir marcar uma cirurgia do coração para o seu pai. A operadora de caixa de supermercado Keila Rocha diz, inclusive, que se sentiu ameaçada pelo secretário municipal de Saúde, Valter Campoi.


Os problemas de saúde do pai de Keila, o coletor de reciclagem Jorge Marcos Alves, de 64 anos, começaram no dia 7 de novembro, quando ele sofreu um infarto. Ele chegou a passar por um cateterismo.


A partir de então, a família de Jorge tentou agendar uma cirurgia para ele. Keila fez diversas publicações nas redes sociais pedindo ajuda, pois segundo ela, o poder público não estava conseguindo resolver o problema. O Hospital Municipal de Bertioga não colocou o stent, como a família disse que foi agendado.


"Meu pai ficou dois dias em uma UTI improvisada, depois dois dias na enfermaria, teve alta por causa das eleições e da Covid-19. Meu pai voltou no dia 16, fez o cateterismo no dia 18. No dia 19, eles revelaram a gravidade do assunto e, até então, nenhuma posição foi tomada. Meu pai saiu do hospital sem colocar o stent e não disseram por qual razão não fizeram a cirurgia", disse Keila, em entrevista ao #Santaportal.


A filha de Jorge contou que recebeu um contato do secretário de Saúde na última sexta-feira (20) para falar sobre o caso do pai dela, após uma nova série de posts dela procurando uma solução para o problema. Campoi falou para Keila que a família deveria tentar marcar uma cirurgia para o idoso em São Paulo, pois o Hospital de Bertioga não possui recursos para operá-lo.


“Desculpa, não é função do hospital realizar a cirurgia. Se você for levar para esse lado que você quer levar, a única pessoa que vai perder sabe quem é? Seu pai”, disse o secretário. Para Keila, Campoi fez uma ameaça nesse trecho da conversa. "Interpreto isso como uma ameaça, por estar confrontando a Prefeitura, buscando os direitos do meu pai. Pelo que ele (Campoi) falou, ele pode deixar de fazer alguma coisa para ajudar ou até mesmo fazer algo para prejudicá-lo", afirmou.


Preocupada, ela resolveu buscar uma solução por conta própria. Porém, ficou sabendo que o município, ao contrário do que havia sido prometido pelo secretário, não colocou o nome de seu pai na Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), responsável pelo agendamento de cirurgias, como no caso de Jorge. “Quando ele falou para a família correr atrás, fui ver como podia fazer. Me falaram da fila do CROSS, várias pessoas pediram para ver qual lugar da fila ele estava para poder agilizar. Quando eu fui no sábado para saber, descobri que o meu pai não estava. Ele não tinha sido colocado pela Prefeitura nesse sistema. Fiquei revoltada, porque o secretário disse que estava acompanhando o caso de perto, que tinham colocado o nome dele lá (no CROSS), mas ele não foi atrás. Sábado não tinha diretor do hospital. Quando eu fui pedir o requerimento (para dar entrada no CROSS), ele (secretário municipal) mandou o enfermeiro do hospital falar comigo”, revelou. No domingo (22), Keila foi impedida de visitar o próprio pai no hospital por um enfermeiro. "O enfermeiro teve conhecimento dos áudios que eu tinha em posse e se negou a dar qualquer tipo de informação sobre o meu pai. Ele falou que só me passaria informação se eu mostrasse que não estava gravando. Foi quando ele me falou que não me passaria notícias sobre o estado do meu pai porque tornei o assunto público. Ele disse que só passaria informações se eu viesse acompanhada por um advogado, porque agora se trata de uma questão jurídica", disse. Nesta terça-feira (24), o idoso será encaminhado para o cardiologista fazer uma avaliação antes de liberá-lo para a operação. A partir dessa consulta, com o aval do médico, o nome dele pode ir para a fila do CROSS, com a indicação de qual procedimento ele deverá fazer. "Só uma safena ou mamária vai resolver. A artéria do coração do meu pai está comprometida, ele é diabético também. Isso tudo, junto com a falta de informação para a família, nos deixa apreensivos. O médico fala uma coisa, o secretário de saúde fala outra. Por que não passaram que o stent não funcionaria? Deixam a gente sem informação, ficamos perdidos. Estamos correndo contra o tempo", desabafou. Apesar de tantas adversidades, a família espera que a situação seja resolvida o quanto antes para evitar possíveis complicações no quadro clínico dele. "Estou cansada porque estamos correndo o tempo todo atrás de uma solução ou de alguém que possa fazer alguma coisa. Vejo que estou fazendo de tudo, mas o principal, que é a cirurgia do meu pai, ainda não consegui. O meu pai já passou por um cardiologista no dia 19, que não mandou ele para fazer uma cirurgia. Quem garante que vão dar o encaminhamento que precisa nessa consulta de hoje? É angustiante essa incerteza, sem saber se vamos ter uma posição logo para resolver o problema do meu pai", concluiu Keila.

Procurada pelo Santaportal, a Prefeitura de Bertioga não se manifestou sobre o caso até o momento. Assim que o fizer, seu posicionamento será incluído nesta matéria.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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